Quem teve o caminho mais difícil no Mundial de 2026?

O Haiti teve neste campeonato do mundo os adversários teoricamente mais difíceis, fazendo fé nos rankings pré-campeonato. Os resultados podem ser lidos na tabela de síntese abaixo, em que o valor mais elevado significa adversários em teoria menos complicados.

Posição SeleçãoJogosMédiaMediana
1Haiti318,337,0
2Escócia332,007,0
3RD Congo418,009,0
4Cabo Verde420,009,0
5Noruega619,6710,5

Passo a explicar: Depois de cada Campeonato do Mundo, há uma discussão que nunca falha: determinada seleção chegou longe porque teve um caminho fácil, enquanto outra foi prejudicada por encontrar adversários muito mais fortes.

Normalmente, a discussão baseia-se sobretudo na memória, nas preferências de cada adepto e na impressão deixada pelos jogos… Mas é possível tentar responder à pergunta utilizando um critério mais objetivo.

Para esta análise, considerei os adversários enfrentados pelas 48 equipas no Mundial de 2026 e utilizei a posição de cada um no ranking FIFA oficial publicado em 11 de junho de 2026, imediatamente antes do início da competição.

Este cuidado é importante. Se utilizássemos o ranking publicado depois do Mundial, os próprios resultados da competição já teriam influenciado a classificação das seleções. Estaríamos, assim, a usar o resultado para avaliar retroativamente a dificuldade do percurso.

No ranking FIFA, uma posição mais baixa corresponde a uma seleção teoricamente mais forte. Por exemplo, enfrentar a primeira classificada é, em princípio, mais difícil do que enfrentar a 60.ª.

Dito isto, apresento aqui, com o devido enviesamento, o resultado para as seleções mundiais que me interessaram mais neste campeonato, isto é, Espanha, França, Portugal, Inglaterra e Argentina, não necessariamente por esta ordem.

SeleçãoMédia dos adversáriosMediana
Espanha23,312,5
França24,423,0
Portugal24,413,0
Inglaterra26,622,5
Argentina29,526,0

A Espanha apresenta a média mais baixa: 23,3. Segundo este indicador, foi a seleção que enfrentou, globalmente, os adversários mais bem classificados.

França e Portugal surgem praticamente empatados. A França apresenta uma média de 24,375, enquanto Portugal apresenta 24,4. Arredondadas a uma casa decimal, ambas ficam com 24,4, embora a média francesa seja ligeiramente inferior.

A Inglaterra apresenta uma média de 26,6, enquanto a Argentina, finalista vencida, apresenta a média mais elevada: 29,5. Neste conjunto de cinco seleções, foi portanto a Argentina que encontrou adversários pior classificados, em média.

A mediana conta, contudo, uma história ligeiramente diferente. A Espanha continua a apresentar o percurso mais exigente, com uma mediana de 12,5. Portugal surge logo depois, com 13.

Isto significa que, apesar de Portugal ter encontrado dois adversários relativamente mal classificados, a República Democrática do Congo e o Uzbequistão, o centro da sua distribuição é composto por adversários muito fortes: Espanha, Croácia e Colômbia.

A França apresenta uma mediana de 23, bastante superior à sua média. Esta diferença deve-se ao facto de ter enfrentado alguns adversários muito fortes, como Espanha, Inglaterra e Marrocos, mas também várias seleções classificadas bastante abaixo do 30.º lugar.

A tabela seguinte apresenta as 5 seleções e os respetivos adversários considerados, tal como a respetiva posição no ranking FIFA de 11 de junho de 2026.

AdversárioPortugalEspanhaFrançaInglaterraArgentina
Argélia————28
Argentina—1—1—
Arábia Saudita—61———
Áustria—24——24
Bélgica—9———
Cabo Verde—67——67
Colômbia13————
Croácia11——11—
Egito————29
Espanha2—2—2
França—3—3—
Gana———73—
Inglaterra——4—4
Iraque——57——
Jordânia————63
Marrocos——7——
México———14—
Noruega——3131—
Panamá———34—
Paraguai——41——
Portugal—5———
RD Congo46——46—
Senegal——15——
Suécia——38——
Suíça————19
Uruguai—16———
Uzbequistão50————

O ranking utilizado coloca a Argentina em primeiro lugar, seguida por Espanha, França, Inglaterra e Portugal. Entre os restantes adversários analisados, Croácia ocupava o 11.º lugar, Colômbia o 13.º, Senegal o 15.º e Uruguai o 16.º. No extremo oposto, Gana aparecia em 73.º, Cabo Verde em 67.º e Jordânia em 63.º.

Os valores utilizados e os resultados foram os seguintes:

  • Portugal: 13, 11, 2, 46 e 50
    Média: 122 ÷ 5 = 24,4
    Mediana: 13
  • Espanha: 1, 61, 24, 9, 67, 3, 5 e 16
    Média: 186 ÷ 8 = 23,25
    Mediana: (9 + 16) ÷ 2 = 12,5
  • França: 2, 4, 57, 7, 31, 41, 15 e 38
    Média: 195 ÷ 8 = 24,375
    Mediana: (15 + 31) ÷ 2 = 23
  • Inglaterra: 1, 11, 3, 73, 14, 31, 34 e 46
    Média: 213 ÷ 8 = 26,625
    Mediana: (14 + 31) ÷ 2 = 22,5
  • Argentina: 28, 24, 67, 29, 4, 63, 2 e 19
    Média: 236 ÷ 8 = 29,5
    Mediana: (24 + 28) ÷ 2 = 26

Quem teve, então, destas cinco seleções, o percurso mais difícil? Se utilizarmos a média como principal critério, a resposta é a Espanha, seguida de França e Portugal, praticamente empatados.

Se utilizarmos a mediana, a Espanha continua em primeiro lugar, mas Portugal surge muito próximo. Isto mostra que o percurso português teve uma combinação peculiar: três adversários muito bem classificados e dois significativamente mais fracos.

Das cinco seleçoes, a Argentina apresenta os valores mais elevados nos dois indicadores. Entre as cinco seleções analisadas, teve portanto o percurso teoricamente menos exigente, considerando exclusivamente o ranking FIFA anterior ao torneio.

Isto não significa que os jogos tenham sido fáceis. O ranking não mede o estado de forma durante a competição, as lesões, as expulsões, as condições de cada partida ou a forma como as equipas se adaptam umas às outras.

Também não significa que uma seleção mais bem classificada vá necessariamente vencer uma seleção pior classificada. Caso contrário, não seria necessário disputar os jogos.

Mas o ranking permite substituir parte da discussão subjetiva por um critério transparente, verificável e definido antes do início da competição.

E os números mostram que, entre estas cinco seleções, a Espanha teve o percurso mais difícil. Portugal, apesar de eliminado mais cedo, enfrentou um adversário típico quase tão forte como o da campeã mundial.

Média e mediana

Para comparar os percursos, calculei dois indicadores.

A média resulta da soma das posições de todos os adversários, dividida pelo número de jogos. Quanto mais baixa for a média, mais fortes terão sido, globalmente, os adversários enfrentados.

A mediana corresponde ao valor central depois de ordenar os rankings dos adversários. Quando existem oito jogos, corresponde à média dos dois valores centrais.

A mediana ajuda a evitar que um único adversário muito forte ou muito fraco distorça excessivamente o resultado. Pode ser entendida como a posição no ranking do adversário “típico” enfrentado por cada seleção.

Fontes

Ranking oficial masculino da FIFA, atualização de 20 de julho de 2026: https://inside.fifa.com/fifa-world-ranking/men

Lista das posições das 48 seleções participantes no Mundial, baseada no ranking FIFA de 11 de junho de 2026: https://www.mlssoccer.com/competitions/fifa-world-cup/news/fifa-world-rankings-every-team-at-the-world-cup

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